Quero dividir um pouco da minha mini experiência como mãe de primeira viagem e o meu medo com a amamentação.
Meu filhote está com 14 dias de vida, desde o dia em que nasceu, eu o amamento no peito...
Nunca tive experiência com outras mães ou bebês RN, então tudo o que eu iria enfrentar era completamente novo, desconhecido e amedrontador, mas com a era INTERNET as coisas ficam um pouco mais fáceis (ou podem nos deixar loucas).
Na maternidade tive acompanhamento de uma enfermeira incrivelmente fofa, que me auxiliou com muita paciência e cuidado. Ela me ensinou o jeito certo de dar de mama, como estimular o neném a continuar mamando quando estiver pegando no sono e etc.
Então, digamos que aprendi direitinho. No segundo dia de madrugada, ainda na maternidade, depois do bebê mamar bastante, ele abriu o berreiro, ficou mais de 1h chorando desesperadamente. Eu e meu marido já não sabíamos mais o que fazer, nesse momento haviam duas enfermeiras de plantão, duas enfermeiras bem chatinhas por sinal... Chamei uma delas e pedi ajuda, pois não sabíamos o que fazer, queríamos ser auxiliados (seria cólica? Seria o mamá apenas no peito que não era o suficiente? O que está acontecendo?). A essa altura eu já havia tentado dar mais peito, tentei ajudar com exercícios para cólica, nada adiantava.
A enfermeira disse "mãe, dá peito!"
O meu neném não estava mais mamando, ele estava chupetando e eu já era ciente de que não era para o bebê chupetar o mamilo.
Então a enfermeira indicou "dê chupeta!"
Eu sempre fui meio que contra chupeta, eu não queria dar chupeta para o meu filho com 2 dias de vida! Tinha que haver um jeito!!!
Fiquei então com o bebê no colo, fazendo carinho e me movimentando na medida do possível, afinal, após uma cirurgia, ficamos numa situação um pouco complicada, mas mãe dá um jeito para cuidar do seu filho.
O neném acalmou, dormiu e eu o coloquei de volta no bercinho. Eu e o papai caímos no sono logo em seguida, afinal, era em média 3h da madrugada e estávamos exaustos com o chorinho dele no ouvido e a pressão da situação nos estressava.
Acordo então com alguns resmungos do bebê, olho para o marido que já está com o olho estalado e vermelho (coitado) e ele me informa que passou só uma hora e o choro aumenta, chamo a enfermeira novamente, peço ajuda, pois ele deveria estar com fome ou com cólicas e meu coração estava se despedaçando a cada berro de desespero do meu filho. A essa altura eu já estava dando o possível e o impossível pra não cair no choro junto com ele.
A enfermeira me disse "Mamãe, o peito pode acalmar a criança!"
Então eu tive o meu primeiro surto de mãe...
Pedi pra enfermeira que ajudasse a resolver o problema do meu filho e não que acalmasse ele, pois se eu estivesse em casa, eu iria preparar o complemento pra ele, afinal, ele poderia estar com fome, porque meu peito ainda não produzia leite.
Ela voltou então com a mamadeira e alimentou meu filho no quarto, ele mamou metade e capotou, dormiu tanto que poderia o mundo desabar que não abalaria o sono dele............ E elas queriam acalmar o bebê com chupeta!
Pra completar a madrugada, tive de ouvir a seguinte frase:
"O colostro é como um prato de arroz e frango, fraco e não é o suficiente pra criança, o leite da mãe já é uma feijoada. Consegue entender a diferença?"
Eu concordei pra que ela saísse logo no meu quarto, mas estava horrorizada com uma mulher que trabalha na maternidade falando algo desse tipo.
O colostro é fundamental para nossos pequenos, muitas vezes é importante dar o complemento pelo menos uma vez ao dia, mas não significa que o colostro seja um "frango com arroz" pelo contrário, ele é rico!!!!!!! É onde ficam os anticorpos que o neném precisa. (Frase da pediatra)
Às 7h acordei pra dar de mama e trocar o neném e me senti em êxtase total, agora eu poderia alimentar o meu filho sem complemento, seria o meu corpo que alimentaria o meu filho, eu seria o alimento dele. Isso fez com que eu me sentisse completa, finalmente!!!!!!
O bebê mamou e capotou novamente.
E logo após isso, já em casa, descobri que meus seios estariam perto de explodir e que eu teria um relacionamento sério com a concha, pois era a única que aliviava as dores e tirava o excesso de leite, me proporcionando um pouco de conforto. Levei muitos banhos com a mesma, até que descobri que o uso do absorvente de seio na concha era uma MARAVILHA! Acabou os banhos e o cheiro de leite ao meu redor. Dei uma relaxada na pega no neném e meu mamilo sangrou, chegou a ficar insuportável dar de mamar por alguns dias, mas cuidando bem, com a pomada certa, higiene correta... Tudo voltou a ser prazeroso.
Não precisei dar complementos ao meu filho, pois ele mamava bem, dormia bem e fazia as necessidades muito bem, então penso "no time que está ganhando não se mexe!" Certo?
Como eu engordei um pouco DEMAIS na gestação, adotamos uma dieta completamente saudável em casa...
Nossos pratos estão ricos em verduras, legumes, frutas, carne/frango grelhados, pouco sal... Estamos de parabéns! Afinal, depois de comer tanta coisa errada na gestação, nada melhor do que voltar à rotina de antes da gravidez.
Mas eis que o famoso baby blues me pega com força total, cheguei um estado de melancolia que eu não podia me olhar no espelho, que só de ver aquele reflexo na minha frente, me dava um aperto enorme no coração e eu voltava a chorar.
Senti o afastamento do marido e me senti completamente sozinha, era eu e essa pequenina criaturinha indefesa que mal sabia dizer o que precisa. Eu fui enfraquecendo a cada dia, comecei a perder a fome, comia para não faltar nada pro meu filho, mas praticamente empurrava a comida pra dentro... No espelho eu começava a sentir meu corpo diminuindo, mas quando tirava a cinta, eu não reconhecia mais a textura dessa pele! Eu estava flácida, eu estava feia, com estrias, o umbigo horroroso e depois do banho ao passar creme, eu também sentia falta da pele firme nas pernas, nos braços... O que aconteceu com você, Fernanda? Onde você está? Quem é essa que apareceu no seu lugar?
Lembra do meu peito cheio de leite? Pois é, de repente cadê? Murchos, caídos!
Fazendo eu me sentir um lixo completo!
Além da auto estima estar no chão por causa do corpo, do marido distante, ainda não poderia alimentar o meu filho! Ele passou a ficar MUITO MAIS tempo acordado, eu nem precisava mais apanhar pra acorda-lo de 3 em 3horas para mamar, pois com 2h de sono, ele já estava acordando pedindo pra mamar.
O pior é que eu não sabia o que poderia estar acontecendo "era a minha alimentação? Era esse sentimento horrível que estava sentindo que poderia estar afetando o meu leite? O que vou fazer? Como vou alimentar o meu filho?".
Eu rezei, eu orei, eu até criei novos Deuses para me ajudar. Mas nada estava adiantando, até o dia que finalmente eu resolvi dar o complemento e sem duvida foi a pior sensação da minha vida, esterilizar tudo, esquentar a quantidade certa de água, misturar a quantidade certa de pó, aguardar a temperatura ideal... Cada passo era um soco na boca do estômago, eu me sentia fracassada.
Quando fui dar o complemento, meu filho recusou, não quis, chorou, jogou pra fora, meu desespero começou a aumentar e dei o peito pela 4ª vez em menos de 1h, na hora que ele se acomodou no peito, fechou os olhos e dormiu!
Era só pra acalmar? Ele só precisava de mim pra adormecer? Aquilo me aqueceu por dentro, pude sentir uma força enorme dentro de mim, eu estava me reerguendo e meu marido estava ao meu lado nessa hora, eu me senti completamente amada, me sentia bem. E na próxima mamada, sabe o que aconteceu? Acordei com meus seios latejando de tão cheios, tive que começar a lembrar de todos os Deuses que eu pedi ajuda, pois eu tinha muito a agradecer.
Moral da história? Eu não sei dizer rs, mas posso dizer por experiência própria que as mamães passam por muitos medos, inseguranças, desespero, explosão de amor, felicidade extrema, tristeza profunda em determinados momentos, solidão, alegria sem fim... Um mix de sentimentos a todo momento.... E acredito que o amor é a base de tudo para levantar de cada tombo e superar cada barreira que surgir.
Ser mãe não é fácil, a gente vai se adaptando, moldando e aprendendo com a paciência que até mesmo na tempestade pode haver um arco íris!
Obrigada pela visita...
Fernanda Evangelista